Provérbios do amor para ela

Liturgia Diaria

2020.09.23 12:22 cicerojoceilton Liturgia Diaria

📖 Liturgia Diária – 23 de Setembro de 2020 🕯 https://feemdeus.com.bliturgia-diaria-23-de-setembro-de-2020/ QUARTA FEIRA – SÃO PIO DE PIETRELCINA (branco, pref. comum ou dos santos – ofício da memória)
Antífona de entrada Eu vos darei pastores segundo o meu coração, que vos conduzam com inteligência e sabedoria (Jr 3,15).
Oração do Dia Ó Deus, que enriquecestes são Pio de Pietrelcina com o espírito de verdade e de amor para apascentar o vosso povo, concedei-nos, celebrando sua festa, seguir sempre mais o seu exemplo, sustentados por sua intercessão. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
1a Leitura – Provérbios 30,5-9 Leitura do livro dos Provérbios. 30 5 Toda a palavra de Deus é provada, é um escudo para quem se fia nele. 6 Não acrescentes nada às suas palavras, para que ele não te corrija e sejas achado mentiroso. 7 Eu te peço duas coisas, não mas negues antes de minha morte: 8 afasta de mim falsidade e mentira, não me dês nem pobreza nem riqueza, concede-me o pão que me é necessário, 9 para que, saciado, eu não te renegue, e não diga: “Quem é o Senhor?” Ou que, pobre, eu não roube, e não profane o nome do meu Deus. Palavra do Senhor.
Salmo – 118/119 Vossa palavra é uma luz para os meus passos!
Afastai-me do caminho da mentira E dai-me a vossa lei como um presente!
A lei de vossa boca, para mim, Vale mais do que milhões em ouro e prata.
É eterna, ó Senhor, vossa palavra, Ela é tão firme e estável como o céu.
De todo mau caminho afasto os passos, Para que eu siga fielmente as vossas ordens.
De vossa lei eu recebi inteligência, Por isso odeio os caminhos da mentira.
Eu odeio e detesto a falsidade, Porém amo vossas leis e mandamentos!
Evangelho – Lucas 9,1-6 Aleluia, aleluia, aleluia. Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus! (Lc 11,28)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas. Naquele tempo, 9 1 reunindo Jesus os doze apóstolos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curar enfermidades. 2 Enviou-os a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos. 3 Disse-lhes: “Não leveis coisa alguma para o caminho, nem bordão, nem mochila, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas. 4 Em qualquer casa em que entrardes, ficai ali até que deixeis aquela localidade. 5 Onde ninguém vos receber, deixai aquela cidade e em testemunho contra eles sacudi a poeira dos vossos pés”. 6 Partiram, pois, e percorriam as aldeias, pregando o Evangelho e fazendo curas por toda parte. Palavra da Salvação.
Que Deus abençoe a você e sua família!
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2020.07.17 04:50 clathereum2 Contardo Calligaris, "Cartas a um jovem terapeuta", cap. IV, 2007

"Caro amigo,
Você me perguntou: 'O que faço, se me apaixono por uma paciente?'. E lhe respondi laconicamente: 'Será que é uma questão urgente?'. Você replicou: 'Desde o começo de minha formação, pratico (só de vez em quando, não se preocupe) um devaneio em que curo milagrosamente uma moça emudecida por sua loucura e, lógico, nos amamos para sempre.' Depois disso, decidi levar sua pergunta a sério.
Talvez você se lembre de que, na minha primeira carta, falei um pouco da admiração, do respeito, e, em geral, dos sentimentos que destinamos às pessoas a quem pedimos algum tipo de cura para nossos males.
Comentei que era bom que fosse assim, pois esses afetos facilitam o trabalho de um terapeuta. E acrescentei que isso é especialmente verdadeiro no caso da psicoterapia, com a exceção de que, neste caso, espera-se que o encantamento se resolva, acabe um dia. Sem isso, a psicoterapia condenaria o paciente a uma eterna dependência afetiva.
Repare que, às vezes, sentimentos negativos, como o ódio, permitem e facilitam o trabalho psicoterápico, tanto quanto o amor. Mas é certo que o amor é a forma mais comum dos sentimentos cuja presença assegura o começo de uma psicoterapia. Ou seja, é muito frequente que um/uma paciente se apaixone por seu terapeuta.
A psicanálise deu a essa paixão um nome específico: amor de transferência. O termo sugere que o afeto, por mais que seja genuíno, sincero e, às vezes, brutal, teria sido “transferido”, transplantado. Ele se endereçaria ao terapeuta por procuração, enquanto seu verdadeiro alvo estaria alhures, na vida ou na lembrança do paciente. Você já deve ter ouvido mil vezes: o amor de transferência, grande ou pequeno, é a mola da cura.
Primeiro, ele possibilita que a cura continue apesar dos trancos e dos barrancos. Segundo, ele permite ao paciente viver ou reviver, na relação com o terapeuta, a gama de afetos e paixões que são ou foram também dominantes em sua vida; essa nova vivência, aliás, é a ocasião de modificar os rumos e o desfecho dos padrões afetivos que, geralmente, assolam uma vida, repetindo-se até o enjôo. Terceiro, ele pode, às vezes, ser o argumento de uma chantagem benéfica: o paciente pode largar seu sofrimento por amor ao terapeuta, para lhe oferecer um sucesso, para ganhar seu sorriso, para fazê-lo feliz. Esse terceiro caso apresenta alguns inconvenientes óbvios: o paciente que melhorar por amor a seu terapeuta nunca se afastará dele, pois parar de amar seria para ele largara razão pela qual se curou, ou seja, voltar a sofrer como antes ou mais ainda.
Você deve também ter ouvido mil vezes que um/uma terapeuta não pode e não deve aproveitar-se do amor do paciente ou da paciente. Você pode ter carinho e simpatia por seu/sua paciente, mas transformar a relação terapêutica em relação amorosa e sexual é mais do que desaconselhado.
Por quê?
Nota: para simplificar, no que segue, falarei do terapeuta no masculino e da paciente no feminino. Mas o mesmo vale seja qual for o sexo do terapeuta e seja qual for o sexo do paciente, incluindo os casos em que esse sexo é o mesmo.
Um argumento que é usado tradicionalmente para justificar essa interdição é o seguinte: o afeto que uma paciente pode sentir por seu terapeuta é fruto de uma espécie de quiproquó. O terapeuta não é quem a paciente imagina. A situação leva a paciente a supor que seu terapeuta detenha o segredo ou algum segredo de sua vida e que, graças a esse saber, ele poderá entendê-la, transformá-la e fazê-la feliz. Ou seja, a paciente idealiza o terapeuta, e quem idealiza acaba se apaixonando.
Conclusão: o apaixonamento da paciente é um equívoco. E não é bom construir uma relação amorosa e sexual sobre um equívoco. Se paciente e terapeuta se juntarem, a coisa, mais cedo ou mais tarde, produzirá, no mínimo, uma decepção e, frequentemente, uma catástrofe emocional, pois a decepção virá de um lugar que pode ter sido idealizado além da conta.
Esse argumento, na verdade, vale pouco. Explico por quê: a paixão de transferência é, de fato, igual a qualquer outra paixão. Em outras palavras, os amores da vida são fundados num qüiproquó tanto quanto os amores terapêuticos. Quando nos apaixonamos por alguém, a coisa funciona assim: nós lhe atribuímos qualidades, dons e aptidões que ele ou ela, eventualmente, não têm; em suma, idealizamos nosso objeto de amor. E não é por generosidade; é porque queremos e esperamos ser amados por alguém cujo amor por nós valeria como lisonja. Ou seja, idealizamos nosso objeto de amor para verificar que somos amáveis aos olhos de nossos próprios ideais.
Então, se o amor de transferência não é muito diferente de qualquer amor, será que está liberado? Pois é, não está liberado: há outros argumentos contra, e são de peso; eles não se situam do lado do paciente (cujo amor é bem parecido com um amor verdadeiro), estão do lado do terapeuta.
Por que um terapeuta toparia a proposta amorosa de uma paciente? Por que ele se declararia disponível e proporia um amor quase irrecusável a uma paciente já seduzida pela situação terapêutica? Há três possibilidades.
1) A primeira é perfeitamente explicada no auto-de-fé do ex-presidente Clinton, quando, em suas memórias recentemente publicadas, ele narra e tenta entender seu famoso envolvimento com uma estagiária da Casa Branca, Monica Lewinski. Com notável honestidade e capacidade analítica, Clinton não justifica seus atos pelo transporte da paixão, mas declara que ele se deixou seduzir ou (tanto faz) que ele seduziu Lewinski simplesmente 'porque podia'. Ele acrescenta (admiravelmente) que, de todas as razões possíveis, essa é a pior, a mais condenável.
'Transar porque pode' não significa só transar porque é fácil, porque o outro é acessível. Significa transar pelo prazer de poder. É como se a gente gostasse de bater em enfermo porque isso dá a sensação de ser forte.
O consultório do terapeuta tomado por essa fantasia se transforma num templo (ou num quarto de motel), em que as pacientes são chamadas a participar de ritos que celebram a potência do senhor.
Esse abuso dos corpos produz estragos dolorosos, porque ele se vale de uma oferta generosa de amor: “Posto que você me ama, ajoelhe-se”. É uma situação próxima à ‘ do abuso de uma criança, quando os adultos que ela ama e em quem confia se revelam sedentos de demonstrar sua autoridade pelas vias de fato, na cama ou a tapas.
Invariavelmente, o terapeuta deslumbrado pela descoberta de que ele 'pode' agir do mesmo modo com as pacientes com quem ele transa e com aquelas com quem ele não transa. A fantasia de abuso invade todo seu trabalho terapêutico, ou seja, ele não analisa nem aconselha, ele dirige e manda, pois ele goza de e com seu poder.
2) Mas há terapeutas, você me dirá, que se apaixonam mesmo por uma paciente e até casam. Concordo. Aliás, essa é a segunda possibilidade.
O curioso é que, em regra, os analistas que se apaixonam pelas pacientes que os amam são recidivistas. Eles se casam com várias pacientes, uma atrás da outra. Um psicanalista famoso, de tanto casar com pacientes, ganhou o apelido 'Divã, o Terrível'.
Conheço as desculpas: a gente trabalha duro e não tem tempo para sair na noite, onde a gente encontraria uma companheira? Afinal, não é banal que as pessoas encontrem suas metades no ambiente de trabalho? Além disso, o terapeuta se apaixona por alguém que ele conhece (ou imagina conhecer) muito bem; essa não é uma garantia da qualidade de seus sentimentos? Pode ser. Mas resta uma dúvida, que se torna quase certeza à vista da repetição.
Esses psicoterapeutas ou psicanalistas que se juntam com verdadeiras séries de pacientes devem ser tão cativos da situação terapêutica quanto suas pacientes. Explico. A paciente se apaixona porque tudo a leva a idealizar seu terapeuta. O terapeuta deveria saber que é útil que seja assim, mas também deveria saber que, de fato, sua modesta pessoa não é o remédio milagroso e definitivo que curará os males de sua paciente. Ora, é provavelmente disto que ele se esquece. O terapeuta, seduzido pela idealização de sua pessoa, como o corvo da fábula, acredita no que diz o amor de sua paciente, ou seja, acredita ser a panaceia que tornará sua paciente feliz para sempre.
Generoso? Ingênuo? Nada disso, apenas vítima, por exemplo, de uma obstinada esperança de voltar a ser o neném que, por um mítico instante, no passado, teria feito sua mãe absurdamente feliz.
A série continua porque a decepção é garantida. O terapeuta (como homem e companheiro) não é uma panaceia (ninguém é). A paciente com quem ele se casou, uma vez feita essa descoberta trivial, manifestará sua insatisfação e, com isso, fará a infelicidade do nené caprichoso com quem casou. Pronto, acaba o casamento. Entretanto, como disse, a esperança do terapeuta é obstinada; não é fácil desistir do projeto de ser aquela coisa que traz ao outro uma satisfação absoluta. Por que não tentar outra vez?
Os terapeutas recebem regularmente, em seus consultórios, os cacos desses dois tipos de desastres: o das abusadas e o das casadas e abandonadas por não se terem mostrado perfeitamente satisfeitas. São cacos difíceis de serem recolados. A decepção amorosa da paciente é violenta: afinal, ela foi enganada por um objeto de amor ao qual atribuía poderes e saberes quase mágicos.
O pior desserviço desses desastres é que, de fato, eles impedem que as vítimas encontrem a ajuda da qual precisam. Frequentemente, ao tentar uma nova terapia, elas não param de esperar que se engate uma nova relação erótica (pois lhes foi ensinado, por assim dizer, que a cura virá de um amor correspondido com seu terapeuta). Outra eventualidade é que elas nunca mais consigam estabelecer a confiança necessária para que um novo tratamento se torne possível.
3) Existe uma terceira possibilidade para os amores terapêuticos. É possível que se apaixone por sua paciente um terapeuta que não queira apenas gozar de seu poder e que não seja aflito pela síndrome de fazer a 'mamma' feliz. E é possível que uma paciente se apaixone por seu terapeuta sem acreditar que ele seja o remédio a todos os seus males.
Afinal, não é impensável que dois sujeitos, que tenham algumas boas razões de gostarem um do outro, se encontrem num consultório. Todos sabemos que um verdadeiro encontro é muito raro, e é compreensível que um terapeuta não faça prova da abnegação profissional necessária para deixar passar a ocasião. Mas, convenhamos, se esse tipo de encontro é tão raro, é difícil acreditar que possa repetir-se em série... Como diz o provérbio, errar é humano, perseverar é diabólico. Ou seja, pode acontecer uma vez numa vida. A partir de duas, a série é suficiente para provar que o terapeuta está precisando de terapia.
Abç."
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2017.07.07 18:32 feedreddit Por que políticos americanos não gostam de terroristas, mas gostam de grupo iraniano totalitarista

Por que políticos americanos não gostam de terroristas, mas gostam de grupo iraniano totalitarista
by Mehdi Hasan via The Intercept
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O que um príncipe saudita, um ex-presidente republicano da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e um ex-candidato democrata à vice-presidência do país estavam fazendo num subúrbio de Paris no último fim de semana?
Você ficaria surpreso em saber que o príncipe Turki Bin Faisal, Newt Gingrich e Joe Lieberman se reuniram para prestar apoio a um grupo de exilados iranianos que, de 1997 a 2012, foi categorizado pelo governo norte-americano como “organização terrorista estrangeira” ?
Há muito tempo certos “falcões”, como são conhecidos os políticos mais bélicos e conservadores do cenário norte-americano, se encantaram com o Mojahedin-e Khalq, conhecido como MEK. Tanto é que, em 2012, fizeram um lobby pesado para conseguir tirá-lo da lista de grupos terroristas, estabelecida pelo Departamento de Estado. Fundado no Irã nos anos 1960, o MEK – que significa “combatentes sagrados do povo” – já foi abertamente antiamericano, semimarxista e semi-islamista : jurou derrubar a força o Xá que tinha o apoio dos Estados Unidos e estar disposto a atacar alvos norte-americanos. O MEK é ainda acusado de ter colaborado na tomada de reféns dentro da embaixada norte-americana em Teerã em 1979. O grupo chegou a condenar a libertação dos reféns, classificando-a de uma “rendição” aos Estados Unidos. Mas depois que os governantes clericais se voltaram contra o grupo no início dos anos 1980, os líderes do movimento fugiram do país e deram início a uma série de bombardeios por todo o Irã.
Hoje em dia, a organização é dirigida pelo casal Massoud e Maryam Rajavi, apesar do paradeiro de Massoud ser desconhecido, havendo inclusive boatos de que estaria morto. O grupo afirma ter renunciado à violência e se vende aos seus novos amigos norte-americanos como um movimento 100% secular e democrático de oposição ao governo iraniano. Mas o maior problema do MEK não é o passado de organização terrorista. Vários grupos violentos que já foram considerados “terroristas” conseguiram abandonar as armas e passaram a circular pelos corredores do poder – como o Exército Republicano Irlandês (IRA) e o Congresso Nacional Africano (ANC).
O maior problema de políticos norte-americanos apoiarem o MEK é que o movimento tem toda a cara e todas as armadilhas de um culto totalitário.O problema também não é o MEK não ter nenhum apoio dentro da República Islâmica. E olha que o oposicionista Movimento Verde renegou o grupo, que já era abominado pela população iraniana por ter lutado ao lado de Saddam Hussein durante a guerra entre Irã e Iraque.
O maior problema de políticos norte-americanos apoiarem o MEK é que o movimento tem toda a cara e todas as armadilhas de um culto totalitário. E não sou só eu quem diz: um relatório do Departamento de Estado registrou, em 1994, que Massoud Rajavi “promovia um culto à sua personalidade” e que isso “afastava muitos expatriados iranianos, que diziam não querer substituir um governo contestável por outro”.
Você acha mesmo que só quem mora em países ditatoriais sofre lavagem cerebral? Em 2009, um relatório do think thank norte-americano RAND Corporation apontou que os integrantes do MEK tinham que “jurar devoção aos Rajavis com a mão sobre o Corão”. Destacou ainda que “as práticas autoritárias e cultuais” incluíam “divórcio e celibato obrigatórios” para os membros (com exceção do casal Rajavi, claro). “O amor aos Rajavis deveria substituir o amor ao cônjuge e à família”, detalha o relatório.
Forças de segurança iraquianas entram pelo portão principal de Camp Ashraf, sede do MEK ao norte de Bagdá (2012).
Photo: Hadi Mizban/AP
Você acha ruim a segregação de gênero dentro do Irã? No Camp Ashraf, no Iraque, espécie de quartel-general onde combatentes do MEK moraram até 2013, “pintavam-se linhas no chão dos corredores para separar os homens das mulheres”, ainda de acordo com o relatório do RAND. Até o posto de gasolina tinha “horários específicos para homens e para mulheres”.
Você pode até entender por que um príncipe saudita, o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliano e o ex-funcionário do governo Bush (e “super-falcão”) John Bolton, que estiveram todos no encontro em Paris, estão mais dispostos a apoiar um conjunto tão bizarro de fanáticos e ideólogos. Mas o que levaria um liberal democrata de Vermont como Howard Dean (que já sugeriu que Maryam Rajavi deveria ser reconhecida como presidente exilada do Irã) a se misturar com eles? O que teria levado gente como John Lewis, deputado da Geórgia e herói dos direitos civis, a defender publicamente o MEK em 2010?
Seria por conta daquele velho quiçá amoral provérbio: “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”? Talvez.Seria por conta daquele velho quiçá amoral provérbio: “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”? Talvez. Seria o resultado da ignorância, da incapacidade de figuras experientes da política norte-americana de cumprir com seu dever de diligência? Quem sabe.
Ou seria só uma simples questão de grana? “Muitos desses antigos altos funcionários do governo, que representam todo o espectro político norte-americano, receberam dezenas de milhares de dólares para defender publicamente o MEK”, revela a ampla investigação feita pelo jornal Christian Science Monitor em 2011.
Em Washington, o dinheiro fala. Seja você um democrata como Dean ou um republicano como Bolton, um ex-chefe da CIA como Porter Gross ou um ex-chefe do FBI como Louis Freeh, o que importa é que o MEK costuma assinar uns cheques bem gordos.
Gingrinch, por exemplo, criticou duramente Barack Obama por “fazer reverência ao rei saudita” , mas foi filmado fazendo o mesmo em frente a Maryam Rajavi. Durante o fim de semana em Paris, o ex-presidente da Câmara dos Representantes chegou ao cúmulo de comparar Rajavi a George Washington em seu discurso.
E Giuliani, « o Prefeito da América » que se autointitula um falcão antiterrorista, mas que, desde 2010, não hesita na hora de receber alguns milhares de dólares para endossar um grupo que: assassinou seis americanos no Irã em meados dos anos 1970; se aliou a Saddam Hussein para esmagar os curdos do Iraque no início dos 1990; aparentemente cooperou com a Al Qaeda na fabricação de bombas pouco tempo depois; e, finalmente, combateu tropas norte-americanas no Iraque em 2003.
Esse pessoal não tem vergonha? Para citar Suzanne Maloney, especialista em Irã do think thank Brookings e ex-consultora do Departamento de Estado, “Gingrinch/Giuliani/Bolton/Lieberman dão pouquíssimo valor à própria integridade, a ponto de se venderem ao culto do MEK”.
Enquanto isso, derrubar o regime iraniano voltou com tudo para a lista de prioridades da Washington de Donald Trump. O candidato que detonava as guerras de agressão de George W. Bush no Oriente Médio deu lugar ao presidente que nomeou os falcões anti-Irã James Mattis e Mike Pompeo para comandar, respectivamente, o Pentágono e a CIA. É o mesmo presidente que tem em Giuliani e Gingrich, os garotos-propaganda do MEK, seus principais conselheiros externos e que escolheu Elaine Chao, que recebeu 50 mil dólares dos Rajavis para pronunciar um discurso de 5 minutos em 2015, para trabalhar no gabinete presidencial.
Sejamos claros: o governo Trump, os sauditas e os israelenses (que, de acordo com uma investigação da NBC News, “financiaram, treinaram e armaram” o MEK no passado) estão bem dispostos a derrubar o regime clerical iraniano. O que mais querem é uma Guerra do Iraque Parte II. Para essa sequência, o MEK de Maryam Rajavi está querendo interpretar o papel do partido Congresso Nacional Iraquiano (INC), de Ahmed Chalabi: os 3 mil combatentes do grupo estão prontos para atuar como “ponta de lança”, segundo afirmou o ex-senador-democrata-agora-advogado-do-MEK Robert Torricelli no sábado passado.
É assim que a loucura se espalha. As elites da política, da inteligência, do Exército não aprenderam nada com a desventura mesopotâmica e com a desastrosa contribuição de exilados iraquianos como Chalabi? Bem, vamos dizer que 0s fanáticos doutrinados do MEK fazem o INC de Chalabi parecer a ANC de Mandela.
É difícil, no entanto, discordar do veredito de Elizabeth Rubin, do New York Times, que visitou o MEK no Camp Ashraf em 2003 e, depois, “conversou com homens e mulheres que conseguiram escapar das garras do grupo” e “tiveram que ser ‘reprogramados’”. Como Rubin advertiu em 2011, o MEK “não é só irrelevante para a causa dos ativistas democráticos no Irã, é um culto totalitário que vai voltar para nos aterrorizar”.
Foto em destaque: Maryam Rajavi discursa durante a reunião anual do Mojahedin-e Khalq no centro de convenções de Villepinte, próximo de Paris (01/07/2017). Líderes políticos internacionais também discursaram em apoio a ela.
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