Únicas mulheres divorciadas

Crise de 18 anos, e a verdade que não me contaram.

2020.11.29 03:36 oquintoanomimo Crise de 18 anos, e a verdade que não me contaram.

História longa, conto as coisas desde que sou criança então se for ler mesmo obrigado pois nunca comentei tudo isso de verdade com ninguém, parece que ninguém me escuta de verdade quando falo algumas coisas e nem mesmo minha família me ajudou muito com isso, sou taxado como adolescente frustrado, mas é da minha vida e do meu futuro que estou falando será que aqui vou ser tratado com mais atenção do que as pessoas que convivem comigo?

Eu fiz 18 anos faz 5 meses, e passei a minha vida ouvindo histórias de que tudo é incrível na vida, a gente faz uma faculdade ganha um dinheiro e esta suave, a real é que as coisas não são assim, a vida é muito diferente dessas histórias de filme ou de propaganda de cursinho pré-vestibular ou de faculdade (de verdade, vendem curso de faculdade como se fosse fórmula para ser feliz na vida), existem diversos fatores que pesam demais na balança dos caminhos para seguir na vida, desde questões financeiras, pessoais e acredito que principalmente familiares, o ambiente que crescemos nos define muito.
Eu sou uma daquelas pessoas que presenciou o divórcio dos pais ainda na infância com 10 anos, na verdade demorou 10 anos para minha mãe realmente divorciar do meu pai para valer, pois nesse tempo de 10 anos eles se separavam e voltavam o tempo todo diversas vezes e eu ficava vendo isso sem entender nada, meu pai é um cusão daqueles que ia trabalhar e ficava com outras mulheres enquanto a esposa cuidava dos filhos, chegava em casa puto e quebrava as coisas e descia a pressão na família e batia nos filhos e na esposa, minha mãe criada por pais de roça humildes, educação religiosa rígida, casou cedo com 20 anos e teve filhos cedo, então da para perceber o quão foda isso foi para mim e fui perceber que tenho problemas de ansiedade e insegurança e acredito que seja por esses motivos na infância pois desde pequeno tenho medo de enfrentar situações de grandes emoções e escuto das professoras e da minha família que sou muito ansioso, além que tive que frequentar psicólogos e fonos quando era muito criança ainda.
Então como eu era criança e sou o caçula, fui morar com minha mãe divorciada e com meus irmãos mais velhos, eu fiquei preso numa bolha de verdade minha mãe e meus irmãos mais velhos tentam a todo custo me proteger até mesmo com 18 anos, tem medo absurdo de mim acabar usando droga ou engravidar alguma garota, então ficava protegido dentro de casa e era muito difícil sair para algum role, a maioria dos meus amigos todos já foram para diversas festas e eu ficava em casa jogando videogame ou vendo merda na internet porque era meu entretenimento ou por falta de dinheiro também para sair, sou daqueles que sempre teve que usar coisa de segunda mão e dividir com todos, e isso me incomoda pois parece que não tenho privacidade. Minha mãe sempre foi meio foda-se comigo no sentido do meu futuro, contanto que eu ficasse em casa e não enchesse o saco dela estava suficiente, então sempre fiquei meio largado pela minha família enquanto minhas irmãs mais velhas ou estavam indo para festas, baladas, ou faculdade e tinham muita liberdade para fazer muita coisa (eu não entendo até hoje como minhas irmãs sempre tiveram mais liberdade que eu, parece que o machismo inverteu dentro da minha casa e eu não estou mentindo) Então só beijei de verdade mesmo 2 garotas na vida, sendo que uma eu transei várias vezes com 16 anos, na realidade não beijei só 2 vezes por falta de opção porque já tive muitas oportunidades de ficar com garotas e até mesmo transar, essas chances sempre estão surgindo, mas eu travo na hora, eu travo muito e ficava sem o que dizer ou agir, minha mente fica fechada parece que todos os pensamentos paravam de funcionar e a garota sempre tomava a iniciativa e eu só correspondia, e eu não sei porque eu tenho essa atitude não é algo forçado é quase que interno saca?
Então tudo que eu tinha era estudar, com 13 anos tive o sonho de entrar no ITA pois era "difícil" e todo mundo que entrava era considerado pika e foda, e alimentei esse sonho por 5 anos pois todo professor ficava me incentivando a tentar isso, acabei estudando bastante e entrei num IFSP que é uma escola federal técnica, no qual estou terminando o ensino médio na mesma, mas em relação ao ITA fui perceber aos 18 anos que não era realmente o que eu queria, na verdade eu nem sei o que eu quero nessa poha de vida, eu sou meio inclinado para exatas pois gosto de matemática mas também sou muito bom com humanas, então a única coisa em mente que tenho é engenharia porque todo mundo que é bom com matemática faz isso, talvez engenharia da computação ou engenharia elétrica pois esta de acordo com o meu técnico e gostei do mesmo, mas com 18 anos ainda mais na pandemia a sensação que eu tenho é que entrar numa faculdade de cabeça no foda-se sem ter 100% certeza é um tiro no meu pé que vou me arrepender.
Então ainda mais com a pandemia, acabei ficando meio pesado por dentro, não estou dando tanta atenção para escola como deveria e me entedio facilmente com muitas coisas, tudo que eu penso é no meu futuro e o que eu vou escolher.
Na verdade eu tenho vontade de resolver esses problemas que tenho de ansiedade e autoconhecimento parece que roubaram de mim minhas oportunidades, me sinto travado socialmente, parece que algo dentro de mim me repreende e me prende automaticamente, também que percebe que surgiu entradas no meu cabelo e tenho quase certeza que foi pelas crises de ansiedade que sofre, ter a sensação que estou ficando careca fode tudo ao dobro mas essas questões nunca foram levadas a sério pela minha família então eu meio que caguei para isso, mas não da para fingir para si mesmo por muito tempo, além disso tem a pressão dos 18 anos de fazer faculdade ou de arrumar um trampo e decidir sua vida inteira em 12 meses, quero me conhecer mais e aprender mais comigo mesmo, na real se nada importasse eu queria juntar um dinheiro e tentar viajar para algum país fazer um intercambio, aprender inglês e ganhar experiência de vida, mas tenho medo de não fazer faculdade e perder a chance de conseguir um bom emprego mas eu nem sei que curso quero fazer, ou que caminho quero seguir na vida, e essas questões pessoais principalmente envolvendo minha ansiedade pesam muito na minha escolha, eu me sinto com correntes na cabeça presas as minhas mãos, tudo que faço fica acorrentado, mas sinto que isso não foi algo que eu fiz então porque não consigo resolver?
Se você leu até aqui eu agradeço muito de verdade, pois penso nisso há muito tempo e não consigo visualizar o que estou precisando resolver, se realmente tem algo para eu resolver ou se só estou criando problemas...
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2020.05.16 06:46 Lordoxford239 Desabafo/Depressão/Dicas de como me tornar autoconfiante

Se quer perder tempo, veja esta mensagem. Obrigado. (deve ter uns preconceito no meio do caminho, então se ligar pra isso, nem leia).

Pela minha vida inteira sempre sofri bullying por ser gordinho... E até hoje sou.
Não consigo nem chegar perto de garotas.. já cheguei ao ponto até de falar com alguma e dizer que gosto dela, que sinto um certo apego por ela, mas nenhum resultado... E a partir desse momento, eu sempre pensei que eu era feio e que ninguém me quer... E até hoje eu sinto isso... Não consigo parar de pensar "Será que um dia vou arrumar alguém para ficar comigo?" "Será que existe alguma garota no mundo que seja bonita e legal para mim e que goste de mim de como eu sou?"
Meu único namoro de verdade foi com uma garota que dizia que me amava, mas depois de um tempo que brigamos e ficamos um pouco afastados, ela me traiu e eu descobri no celular dela enquanto ela dormia, peguei o celular dela para ver e la estava as conversas com nudes e papos de "amor" com outro cara que eu ainda por cima conhecia e ela falava sobre... E hoje ela ta divorciada do cara, esperando um filho e namorando algum favelado inútil.
Cheguei a tentar suicídio com algumas combinações de remédio, mas a unica coisa que deu foi uma dor de barriga dos inferno e dor no estômago. Vida de merda... Nem pra morrer eu sirvo...
Meu único pensamento hoje é de sumir e nunca mais poder ver ninguém, mas que ninguém tivesse me conhecido na vida e que nunca tivesse me conhecido.. Tipo aquele negocio dos MIB, que ele da um flash na cara da pessoa e a pessoa simplesmente esquece do que você quer? Então, queria dar flash em todas as pessoas que vi e morrer pra ver se me sinto melhor...
Pode ser um preconceito e uma ignorância gigante, mas pra mim, mulher só gosta de homem sarado ou magro, bonito... E que esse papo de "coração é o que importa" é uma puta falsidade... Tento ser legal com todos, mas todos estão simplesmente CAGANDO pra mim...
As únicas pessoas que estão do meu lado são meus pais e poucas pessoas que me aturam não sei como... Amor de família é uma coisa... Mas achar alguém para conviver pro resto da sua vida, é outra... E hoje em dia pra mim, sendo feio, gordo, e mesmo sendo gentil com as pessoas e pensando sempre no próximo, está impossível de ser feliz.
Se leu até aqui, gostaria de saber dica sobre como poderia melhorar minha autoestima, baseado no que eu disse acima..
Valeu
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2020.03.17 15:42 r3comeco Estou finalmente deixando para trás o pior ano da minha vida (e sobre como a justiça/polícia não protege alguém que foi ameaçado)

2019 foi o pior ano da minha vida, foi cada desgraça que parecia um filme. Mas o que venho contar aqui é que passei por um relacionamento de quase dois anos que se tornou abusivo e que terminou em julho do ano passado.
A mulher era divorciada e o ex marido não aceitava a separação, muito menos meu namoro com a ex dele. Em dezembro de 2018 ele (com quem nunca tive qualquer relação pessoal) se deu ao trabalho de conseguir meu WhatsApp e me mandar um áudio me injuriando e ameaçando. Ele apagou o áudio e me bloqueou assim que percebeu que escutei, mas eu já tinha salvado o áudio.
No mesmo dia fiz um B.O. Em julho de 2019, dias depois do meu término (e oito meses após a ameaça), me chamam no fórum para uma audiência de conciliação, na qual ficamos eu e ele, sentados lado a lado. Eu já nem queria saber disso, então propus que ele pagasse uma cesta básica a alguma família necessitada para eu retirar a acusação. Com a cara mais lavada, ele disse que não tinha condições. Saímos da audiência juntos, pela mesma porta. O lugar não é muito movimentado, então na rua ele aproveitou para colocar a mão nas minhas costas e fazer uma nova ameaça. Eu estava com um amigo advogado que esbravejou com ele e ele, tal como cachorro, saiu andando depois da gritaria.
Na última sexta-feira, um ano e três meses depois da ameaça, a Polícia me intima para prestar esclarecimentos. Fui lá hoje e assinei um termo de desinteresse com a escrivã me garantindo que não serei mais incomodado sobre este caso. Me sinto leve, sinto que me livrei de uma parte importante desse passado e agora não tenho "vínculo" nenhum com esse cara mais. A escrivã disse que ele não saberá que desisti, então deve ficar esperando ser chamado até esquecer. Mesmo se não for assim, é sobre mim, não sobre ele. Me sinto leve e aliviado, desde sexta estava bem aflito e ansioso para hoje, imaginando que teria que me encontrar com o salafrário de novo e que não seria simples apenas deixar a acusação pra lá. Estou contente que não foi assim.
Agora, algumas reflexões:
  1. Fui ameaçado e a única vez em que estive pessoalmente com o cara foi porque a justiça me colocou nesta situação;
  2. Um ano e três meses depois, não houve qualquer indício de defesa à minha integridade por parte das instituições, nem qualquer punição ao ameaçador;
  3. Vejo muita gente desesperada por relacionamentos neste sub. Eu, aos 22 anos, nunca tinha namorado e iniciei este relacionamento. Fui muito feliz, amei minha ex e não me arrependo, pois vivi muitas coisas e adquiri muita experiência, mas os traumas também ficam e penso que se eu tivesse mais amor próprio e ponderasse mais, não teria entrado em um monte de roubada. Então, amigos, cuidado com o que desejam;
  4. Não sejam escrotos e aceitem términos, principalmente os homens. Além disso, ensinem os filhos de vocês a não serem machistas e a entenderem que as mulheres têm direito sobre elas mesmas.
É isso! Me sinto mais leve para seguir em frente.
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2014.02.10 13:43 ClayDatsusara Homem casadoiro, aguenta aí!

HOMEM CASADOIRO, AGUENTA AÍ !!!
Tenho um amigo, não posso dizer que seja o meu melhor amigo, mas também não é dos piores. Esse amigo chama-se Milan. Quando um amigo precisa de um bom conselho, é nossa obrigação dá-lo. Então, no dia do seu casamento, eu disse-lhe: — Sabes que isto é uma farsa, não sabes? — Ei! É o meu casamento! É agora! Vai acontecer! Por isso pára já com essa conversa! Um amigo sabe quando deve parar com as conversas quando outro amigo lhe pede. Calei-me bem calado e olhei o jovem casal com preocupação quando se apresentou frente ao padre. Não é que não goste dela. Acho-a super, como em super-divertida, super-inteligente e super-bonita. A expressão bom partido pode ser usada com mulheres? Se sim, ela é um bom partido. Mas o Milan não devia casar com ela. Nem com ninguém. — Ela chama-se Sandrine e é daquele tipo de mulheres por quem perdemos a cabeça, ao ponto de pensarmos em casamento – disse-me o Milan no dia em que a conheceu – pena já ter enfeitiçado um tonto que caiu no conto do vigário. Ai Milan, Milan... se me tivesses deixado falar, repetia-te a sentença que proferiste há sete anos atrás. Que me lembre, Sandrine encantou – como serpentes hipnotizadas – mais 7 ou 8 “tontos” depois desse a que Milan se referira quando a conheceu. Nenhum deles chegou ao ponto de a levar ao altar, porém Milan aqui estava, perante uma assembleia de almas pouco católicas, disposto a abdicar do Sol. do seu bilhete de identidade. Nem um sol aos quadradinhos para ele, apenas um Cas. como em ficar em casa todas as noites. E toda a gente sabe que as mulheres preferem o sexo matinal, naquelas horas em que tanto elas como os maridos estão a trabalhar. Uma pena, portanto, meu amigo Milan, que aceites dar o nó apenas para garantir uma suposta exclusividade, mesmo que a tua mulher seja essa bomba sexual, se não vais desfrutar dela na frescura matinal, mas apenas naquelas noites em que chegais cansados do trabalho e com mais sono do que libido... Não, não posso falar, devo-te isso, Milan, o respeito de velhos amigos e a aceitação recíproca das escolhas pessoais. Ainda assim, a meio da celebração, farto do mambo-jambo filosofal do padre, levanto-me e saio da igreja, não me importando com os olhares intrometidos de uns quantos velhos do restelo. Blah! É certo que não vou chegar àquele ponto da cerimónia em que o padre pergunta aos presentes se há alguém que se oponha à união daquelas duas pessoas. Se houver alguém que se tenha levantado e saído a meio do casamento, isso conta? A resposta é certamente não, pela festa a que assisto da esplanada onde estou sentado a beber um martini, quando eles saem da igreja, braço-dado, Milan e Sandrine, duas das melhores pessoas que já conheci, um casalinho feliz a levar com arroz nas trombas e flashes nos olhos. Faço fast-forward à sessão fotográfica e passo directamente para o próximo capítulo: a chamada função. A razão pela qual os casamentos ainda mantêm certa popularidade entre os jovens é o copo-de-água, ainda que copos de água sejam difíceis de encontrar nas mãos dos convidados. Se não houvesse este isco enganador, de haver bebida e comida à discrição contra pagamento de uma avultada soma monetária eufemisticamente nomeada “prenda”, eu nunca poria os pés em tal convívio social. Se não fosse a bebedeira subsequente, ninguém iria à igreja. É a única contrapartida possível, depois de passar largos minutos a ouvir alguém pregar moralidades datadas: beber uns copos e esquecer tudo o que se ouviu. O que ainda é mais chato num casamento é querermos ter uns minutos de conversa com o noivo ou com a noiva, ou mesmo com os dois em simultâneo, e não conseguirmos! Há sempre algo a fazer, fotos, brindes, comidas a entrar, discursos, danças, brindes, mais músicas, palhaços, filmes, brindes, bolos, brindes de champanhe, fogo de artifício e sei lá o que mais, que quando olhas as horas já está tudo bêbedo, inclusive os noivos, bêbedos demais para ouvirem os teus argumentos razoavelmente acertados sobre os porquês dos casamentos falhados e dos divórcios de que se ouve falar todos os dias. Se calhar, nem o Milan nem a Sandrine têm na família um historial tão grande de divórcios como eu tenho na minha. Não digo que seja por isso que não me caso, mas se algum deles tivesse pais divorciados, dois irmãos divorciados, dois pares de tios e tias divorciados, uma prima divorciada e até um cão divorciado na família, duvido que pensassem sequer em casamento. Mas não é isso que digo à Sandrine quando a apanho entre duas danças com velhos babados de luxúria. Digo-lhe apenas que é errado fazer um homem pensar que todos os seus problemas relacionados com a infelicidade poder ser resolvidos com juras oficiais de amor e outras tretas. — Sabes bem que ele me pediu em casamento, não o contrário... — Se fosse ao contrário ele ia perceber que é bom demais para ti – digo-lhe, mas logo me arrependo. Não acho isso verdade, que ele seja bom demais para ela, e nem que ela seja boa demais para ele. Não vejo as coisas assim, ninguém é melhor do que ninguém, e ninguém pode ser de ninguém. Não se pode esperar que uma mulher nunca mais vá sentir desejo sexual por outros homens para além de nós apenas por decidirmos tomá-la como esposa... É insano pensar assim. E se ela nos desperta paixão, então também é de esperar que desperte sentimentos semelhantes noutros homens. A única coisa que pode salvar a equação é a fidelidade, mas esta tem sempre de ser uma incógnita, um grande x, ainda para mais nos dias que correm, em que a liberdade e a auto-determinação são, justa ou injustamente, dependendo dos casos, sobrevalorizadas. É um discurso assim que quero fazer à Sandrine, no dia do seu casamento, para cúmulo das maldades, mas só me sai aquela porcaria de frase sobre ele ser melhor do que ela. — Estás bêbedo – a Sandrine responde-me de imediato – e tens de arranjar uma namorada a sério, para perceberes... Fico sem saber mais o que lhe dizer. Desculpa é a única opção, por isso calo-me no meu orgulho , vendo-a ser levada para o centro da ribalta, para mais brindes e palavras bonitas. Antes de me apetecer cair para o lado, no torpor lânguido das 4 da manhã, ainda consigo falar com o Milan, mas já bebi demais para fazer algum sentido, e não querendo prolongar a tristeza das minhas figuras, digo-lhe apenas parabéns. — Obrigado... Eu sei que não temos estado juntos como nos velhos tempos, mas vou-te compensar. Deixa só o pó assentar. — O pó assentar. Claro – repito de forma pouco convincente, mas logo ganho energias para terminar a conversa num tom positivo – Não... A sério, fico feliz por estares feliz. Não precisas de estar comigo, tenho a certeza que é bem melhor estar com a Sandrine :) Em troca das minhas palavras simpáticas, recebo um abraço sentido e decido que é a forma perfeita de fechar a noite. — Milan, me voy, passa uma boa lua-de-mel e não gastes a tua pujança toda na Sandrine. Em 8 dias podes dar umas voltas sozinho. Já estive no Brasil e as locais gostam de rodízio. Não faças nada que eu não fizesse e essas tretas do género. Chau. Boa viagem. Diz à tua nova mulher que mais vale só que mal acompanhada... Estou a brincar, Milan, dá aí mais um abraço! Não, a sério, gostei deste show, alguns actores não pareciam muito na personagem mas tu parecias sincero! Globo de Ouro, Milan! Desculpa, tá, vou embora, tá... tá... A pesadíssima ressaca do dia seguinte é sinal indesmentível que me diverti, muito até. No meu entender são inversamente proporcionais, bebedeiras e ressacas, porque só só consigo beber muito se me estiver a divertir. Então, mesmo que não me lembre de tudo o que aconteceu no dia anterior, tenho a certeza que me diverti no casamento do Milan, nem que a maior parte do gozo tenha vindo do escárnio e mal-dizer. Não compûs propriamente canções, mas consegui estruturar boas e variadas razões para não concordar com o casamento e me rir por cima. Porém, devo dizer que o casamento pode mudar as perspectivas de alguém (de alguém como eu...) em relação a essa cena toda da fidelidade, sexo, consciência, desejo, culpa, compromisso, etc. Apenas duas semanas depois deste casamento, no fim de uma sessão de sexo matinal, entro naquele informe estado de tristeza post-coitum, olho para o corpo humano demasiadamente familiar que se enrosca em mim e sinto que tenho de fazer a pergunta que ela não quer ouvir: — Por que é que te casaste mesmo, Sandrine?
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