Bebê vestidos da menina

Descobri que sou trans. E agora?

2020.05.04 02:54 SatokoHoujou Descobri que sou trans. E agora?

TL;DR abaixo com as perguntas que gostaria de sanar, o resto é desabafo e contextualização.
Oi gente, tudo bem? Recentemente me descobri trans (MtF) depois de anos achando que era apenas um fetiche ou vontade de fazer crossdress. Gostaria de tirar algumas dúvidas sobre TH e também desabafar e conversar um pouco com quem também passa/passou por isso e como lidar. Só para clarificar, ainda estou usando pronomes/nome masculino mesmo, porque...
Sinceramente, eu não me sinto uma mulher. Isso é normal? Eu sei que gostaria de ser uma mulher, mas vivendo quase 23 anos como homem me sinto muito hipócrita em dizer que me sinto uma mulher. Já me acostumei a viver assim. Minha vida é uma eterna monotonia. Faço faculdade e estágio. Não tenho amigos, não tenho vida social, meu único hobby é jogar vídeo game, então que diferença faria? Sinto que para mim a transição seria uma forma de escapismo. Como um meme que vi: "não arrumei uma namorada, então eu mesmo viro a namorada". E se for uma fase?
A primeira vez que senti uma certa disforia foi assistindo um anime em que um personagem era crossdresser, porque se sentia fraco como um homem e recorreu a essa opção, de viver sua adolescência como uma menina. Esse foi o primeiro momento em que eu se quer cogitei que aquilo podia ser uma opção para mim. "Eu também não gosto de ser homem, e se eu fizesse crossdress?" Pedi para meus pais comprarem um vestido para mim sob o pretexto de fazer cosplay, mas infelizmente foi sem sucesso. O outro motivo é que eu me sinto mal por como isso foi despertado. Se eu nunca tivesse assistido esse anime, não estaria passando por isso agora?
Não tem como eu me iludir pensando o quão bom teria sido fazer a transição antes, eu nem sabia que isso era uma opção. Via 'travestis' com maus olhos, jamais que eu queria ser aquilo. O que me lembra que até uns 12 anos eu era extremamente homofóbico e transfóbico, mas isso é porque eu morava em uma cidade minúscula onde todo mundo é assim. Mais engraçado ainda é lembrar que quando eu tinha uns 5 anos eu tinha muito medo de "ser gay", porque associei o que escutei de adultos a algo ruim, digno de vergonha. Lá pelos 13 anos, comecei a questionar minha sexualidade, se eu possivelmente era bissexual, e infelizmente até hoje não tive a oportunidade de sanar essa dúvida, e um pouco se deve ao medo.
Eu sempre tive cabelo grande, desde os 9 anos. Sempre ODIEI meu cabelo curto, tentei deixá-lo curto várias vezes, e o resultado sempre era o mesmo: eu odiava, me arrependia, às vezes chorava, e ficava me sentindo burro por ter que ficar esperando um ano e meio até que crescesse. Deixei crescer acho que 5 ou 6 vezes ao longo desses anos. Hoje eu imagino que seja porque realça demais a masculinidade no meu rosto, o que dá para disfarçar um pouco sem estar curto. A última vez que cortei eu havia decidido que não deixaria mais crescer, porque queria ter mais oportunidades profissionais sem que o cabelo fosse um empecilho em entrevistas. Mudei de ideia, e quis deixar crescer de novo para dessa vez fazer crossdress. Estava decidido que iria me depilar inteiro, arrumar uma roupa legal, e realizar esse desejo secreto o qual sonho por pelo menos 8 anos. Mas tinha que ser algo genuíno, por isso quis deixar crescer de novo; nada de peruca, pois não me sentiria bem. Depois disso, poderia cortar de novo e seguia com o plano original.
Era esse o plano até a minha ficha cair: eu não gosto de ser homem, de parecer homem, e preferiria ser e parecer uma mulher, mesmo não sabendo explicar o porquê. E aí o desespero bateu, pois eu já passei há tempos da puberdade, sinto que não tenho mais um "rostinho de bebê" que tinha até uns 19, e a passagem do tempo me dá medo demais. Eu preferiria desistir da ideia, não ter que lidar com o preconceito, mas e se eu me arrepender quando estiver muito mais velho? Tem como eu empurrar isso para debaixo do tapete e fingir que nunca aconteceu? Acho que não.
Então dito isso, eu acho que estou na idade certa para fazer a transição. Não tão jovem quanto eu gostaria, mas suficientemente para ter ótimos resultados e começar a viver da maneira que eu quero. Isso se não fosse pela questão financeira ): Atualmente, eu sou estagiário em uma escola, estou no último ano de Letras, e quase todo meu dinheiro é para pagar a mensalidade da faculdade. Em dezembro, termino a faculdade e meu contrato de estágio acaba. A partir do ano que vem imagino que eu consiga arrumar um emprego como professor e ganhar cerca de uns 1800 reais, sem considerar a situação do Covid. O quão viável seria esse dinheiro para começar a pensar em depilação a laser e na transição?
Eu continuaria a morar com os meus pais, sei que isso está longe de ser o ideal, mas eu não vejo como conseguiria pagar aluguel enquanto pago as coisas relacionadas à transição, até porque eu não tenho nem roupa ou maquiagem alguma. Meu pai é aquele tipo de pessoa "o filho do vizinho ser gay tudo bem, mas o meu não", mas eu acredito que com tempo ele aceitaria. Minha mãe eu sei que aceitaria, se não fosse pela questão da insegurança e dificuldade de arrumar emprego. Por isso, tenho certeza que ela iria me desencorajar e dizer que é só uma fase.
Apesar disso, acho que eu preparei o terreno suficientemente bem ao longo dos anos: sabem que gosto do meu cabelo grande, já contei para eles diversas vezes que queria fazer crossdressing, usei maquiagem por uma época, aos 13 anos, e recentemente comecei a me depilar. Eu até fiz uma tentativa de sair do armário para minha mãe. Uma vez que o assunto encaixou, mostrei uma foto de transição de uma pessoa que era muito musculosa e barbuda, e havia se tornado uma mulher lindíssima. Aí eu falei: "se fosse para ficar bonita assim, até eu iria querer tomar hormônios". Ela respondeu: "sério? Que estranho". Foi literalmente isso. Estava na expectativa de ela me perguntar algo, mas nunca mais tocou no assunto. Não sei se foi só insensibilidade dela ou se também é um assunto o qual ela prefere evitar.
E sobre a transição em si, o quão viável é fazer pelo SUS ainda esse ano considerando a situação da pandemia? Se eu fizesse isso particular, quais passos eu teria que tomar? Consultar um endocrinologista e se der tudo certo, comprar os hormônios? Quanto isso + depilação a laser custaria? Moro em uma cidade no interior de SP com cerca de 700 mil habitantes, para contexto. Isso me parece o essencial, porque não tenho como ser passável com sombra da barba e por isso estou muito ansioso para poder fazer essa depilação a laser. O resto do corpo acho que fica decente depilando com creme depilatório e usando lâmina, mas o rosto não tem como, fica mt ruim ):
Considerando tudo isso, o medo que mais me assola: enfrentar isso e não ser passável. Sei que nunca vou ter dinheiro para FFS, provavelmente nem outras cirurgias, pois é caro demais. Só vou poder contar com a genética, hormônios e depilação mesmo. Será que eu me sentiria bem ou iria me enxergar ainda como um homem? O que me conforta um pouco é ver resultados de pessoas que começaram em uma situação muito pior dentro do contexto MtF, tipo que eram gordas, carecas, e mesmo assim, com tempo, se tornaram mulheres bonitas. E só para deixar claro, eu sei que a transição não é uma corrida de quem fica mais passável, o intuito é se sentir bem sendo quem você é de verdade, certo? Mas não vejo como tirar esse medo da cabeça.
E é isso, estou desse jeito desde o final de março, angustiado, sem conseguir me concentrar em nada. Fico muito chateado em ver minha mãe me perguntando porque estou tão desanimado, se eu estou doente porque só fico deitado o dia inteiro, e não posso falar nada porque ainda não tenho coragem, e tomar alguma atitude agora também parece muito difícil por quase da pandemia. Tive dois sonhos com essa situação, um deles foi contando para minha mãe, o outro foi usando meu nome novo, que já havia escolhido há um tempo. Me senti bem mal quando acordei ):
Não acredito que consegui escrever isso, sinto que foi um peso tirado das costas. Desculpe se disse algo insensível ou ofensivo, não foi minha intenção. Desculpe também pelo wall of text e agradeço muito a quem leu até aqui.
TL:DR: O quão viável é começar a transição atualmente pelo SUS? Quanto custaria, em média, se eu fizesse uma consulta particular com endocrinologista e comprasse os hormônios? Quanto custa, em média, sessões de laser e quanto estima-se gastar até retirar todos os pelos possíveis?
Atualmente moro com meus pais, sei que a reação deles seria neutra, não me expulsariam de casa nem nada. Termino a faculdade esse ano. Seria uma má ideia cogitar a transição agora/ano que vem? Eu poderia arrumar um emprego na área enquanto moro com eles para economizar no aluguel, não sei se aguento esperar ganhar suficientemente bem para morar sozinho ):
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2019.09.16 21:45 petitpapillonbebe O que vestir no dia do batizado

O batismo é um momento muito importante para toda a família e muitas mamães nos procuram com muitas dúvidas sobre o que vestir no bebê e nela mesmo no dia da cerimônia.
Nos dias de hoje, escolher a roupa de batizado, já não é tão difícil, pois os padrões e conceitos do passado já foram quebrados. O importante é ter bom senso e escolher o look mais apropriado para a estação do ano.
Em épocas mais antigas era tradição usar no bebê uma vestimenta chamada Mandrião e tem algumas famílias que seguem esse rito até hoje. Muitos escolhem essa vestimenta pela tradição de usar a mesma roupa em todos os bebês da família. No dia do batizado, o nome daquele bebê é bordado no forro do Mandrião juntamente com outros nomes que usaram aquela mesma roupa.
Mamães mais modernas optam por um lindo vestido para as meninas e um conjuntinho de camisa e short/calça para os meninos acompanhados de acessórios como gravatinhas borboleta, coletes e suspensórios. Sempre lembrando que o bebê precisa estar confortável na roupinha.
Até o look total em branco já tem sido deixado de lado por algumas mães, mas ainda predomina na escolha da roupinha em grande parte das famílias e em paróquias que exigem o branco para esse tipo de cerimônia.
Uma dica é sempre escolher um casaquinho ou bolerinho branco para acompanhar o traje, pois no período da manhã costuma ventar um pouco em determinadas regiões do país.
Saiba mais no artigo https://www.petitpapillon.com.bblog/o-que-vestir-no-batizado
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2019.05.27 17:43 pffdss Destrutivo

Um bebê nasce, é um menino. Os pais ficam felizes e emocionados, um homem na família, que lindo. Ele cresce, faz 5 anos, ele desenha em rabiscos e os pais dizem "que bacana meu filho!". Ele aprende várias coisas na escola, cresce mais um pouco e faz 10 anos. Ele aprende palavras novas, a conversar mais ou menos, aprende o toca aqui, em seu desenho um pouco melhorado, faz uma menina segurando uma flor, com um vestido rosa, mas seu pai entra no quarto e fala "isso não é coisa de homem, apague e desenha um carro", ele chora escondido, por dentro, engole o choro e faz um carro qualquer, melhor apagar o desenho do que apanhar, não é?. Os 15 anos chegaram, ele está no ensino médio, estuda, conversa, se estressa, se empolga, se sente bem e se sente mal. Se lembra de várias coisas quando pequeno, que aos 8 anos quando caía chorava, mas sua mãe gritava tendo autoridade dizendo "levante, engole o choro, você não é homem?". Uma lágrima e um desgosto descontente sai dos seus olhos, revoltado por ter nascido homem. Ele sabe que as mulheres sofrem, muito, demais, é horrível, real, revoltante, mas temos dois lados de uma história, só escutamos um lado, esquecemos do outro. Porque achamos comum os sonhos, os jeitos, os pensamentos e sentimentos de um homem morrer sem nenhuma satisfação. O homem é um brinquedo normal, onde podemos pensar tudo sobre ele, porque ele é homem, é dado como uma pessoa que apenas trabalha, tem jeito de macho, solta peidos, faz besteiras e não pensa em nada. A mulher é um ser gentil, doce, amigável, estável, tudo de bom e muito feliz, na maioria dos casos. Mas a sociedade é negligente, sabe das coisas e em relação aos homens e mulheres, depois da fase jovem para a adulta quem começa a se sentir muito mais inseguro, revoltado e maltratado, é o homem. Praticamente tudo se torna dele, para ele, forçadamente, porque a responsabilidade pesa muito mais sobre suas costas de uma forma desarmônica e destrutiva. Uma mulher que sofreu abuso de várias formas sofre muito, e nem sabemos qual foi essa sensação horrível, mas homens diferentes existem, todos possuem um padrão e o mais conhecido é "eles não têm ou não sabem demonstrar sentimentos". A mulher pode chorar, é confortada, amparada, tem apoio, mas o homem é discriminado, porque nem ter sentimentos pode ter, nem chorar e nem fazer várias outras coisas, como ser um homem ético e simpático. Se a mulher chega e fala "não estou bem hoje, e não é fisicamente, mas sim mentalmente", normal, tudo pode ser resolvido com cautela. O homem pode ser curar sozinho, porque ele tem "poderes" e ele "não precisa de ajuda para nada",(muitos homens morrem de depressão por esse motivo) e tudo bem para todo mundo. A mulher sofreu muito até chegar onde estar, nas eleições, querendo direitos para pensar e ter idéias sobre tudo em nossa volta. Elas são muito legais e muito incríveis de vários jeitos, mas o homem em secreto e discreto, está sofrendo para não deixar cair um pilar que a mulher está construindo na humanidade. Se falamos de nós mesmo, somos machistas, mas se falamos delas, do bom e do melhor, no fundo também somos machistas. Mulheres, criem seus filhos para serem homens, homens de verdade, que têm pensamentos para defendê-las nos momentos certos, mas não deixe que seus filhos homens se afundem em pensamentos fixos, em paradigmas enormes e extremos. Homens têm direitos, eles não são bobos ou de faz de conta. Eles também querem direitos iguais, assim como vocês mulheres, mas como todas vocês fazem boa parte da humanidade, sofreram desde muito cedo, não quer dizer que o homem não tenha sofrido também. Eles sofreram e sofrem, inconscientemente, escondidos por medo de serem reprimidos, mas mesmo assim nada ainda acontece. Tudo muito pior, neste século ordinário e opressor dos dois lados dessa história mal analisada.
VEJA UM VÍDEO DE "QUEBRANDO O TABU" NO YOUTUBE:
https://youtu.be/tyty1lfRUoI

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2019.03.23 17:18 lizziehope Um grito, risadas e choro

Minhas mãos estavam cheias, queria liberar espaço para meu bebê, mas tudo escorregava com o sangue. Eu nunca havia me sentido tão suja e desesperada e olha que eu vivi alguns meses fora dos jogos. Tinha uma casa abandonada onde podíamos descansar, era uma antiga casa mal assombrada que parou de funcionar. As vezes, eu conseguia me assustar com alguns dos brinquedos, outras vezes somente os encarava como se não fossem nada. Minha barriga doía toda vez que eu tomava banho no rio gelado, mas era o único rio mais limpo que achamos e, se descobrissem nosso crime de viver fora, seríamos eletrocutados. Tentar passar despercebida durante um banho era mais fácil do que durante o trabalho de parto. Outras mulheres já tinham ido embora e abortado dentro dos jogos, era mais rápido e limpo. Outras morreram tentando salvar seus filhos. Eu queria salvar a minha vida, viver como pensavam nossos ancestrais. Queria sentir emoções, queria sorrir, queria amar. Queria tocar em um bebezinho de verdade, sentir suas mãos quentes e pequenas, tocando em meu rosto. No dia final, eu aguentei mais que ele. Ao enterrar minha última esperança de amor, tentei não me lembrar de meu companheiro, que nem ao menos era para ser meu companheiro. Sim, eu sou uma delas, mas não era para ser assim. Eu jogava melhor quando era mais nova, mas com dificuldades em casa, meu pai acabou tentado em aceitar uma vida de assassino, minha mãe, ainda crente em união, tentou fazer com que ele mudasse de idéia. Viajamos por muitos lugares, achamos comodidade no centro de esportes, lá havia maratonas e deuses gigantescos. Podíamos viver em paz enquanto meu pai crescia no meio deles, dando-nos oportunidade para crescer dentro de nosso próprio processo no jogo. Ainda estava estudando, parei para trabalhar de balconista em um dos cassinos. Era difícil ignorar alguns fatos, depois que um dos grandes se apaixonou por mim, comecei a ser perseguida em sonhos e pesadelos, nos jogos e na minha vida. Quando tirei o capacete e vi que era meu próprio pai, tentei tirar minha vida. Alguns anos depois, já dentro de jogos longes e muito longe dele, descobri que, na verdade, ele estava sendo controlado por esse homem: Tayson. Tínhamos as mesmas idéias de mundo, apaixonei por seus olhos misteriosos e seus pins infinitos. Fiz pessoalmente, sem o capacete, com ele. Estava tão apaixonada que não me importei com sua idade, porém, algo me dizia que estava tudo errado. Depois daquele dia, nunca mais o vi, em minhas investigações para encontrá-lo novamente, juntei todas as peças. Fugi da cidade ao descobrir que estava grávida. Perdi da vida real. Agora, todos vocês estão sentados em algum lugar, enquanto eu conto essa história, para que alguém consiga encontrar alguma chave em mim para curar essa dor. Como sempre ninguém escuta, não é? Ou fingem que escutam, não é? Ninguém vai vir aqui? Estou no prédio 12, andar 7, na segunda janela do quarto 16. Alguém pode vir aqui? Qualquer um? Simplesmente vamos conversar, como humanos... - Tire sua vida logo, vagabunda! - Trabalhou nisso e se arrepende agora? Por que não morre logo antes de se lamuriar? - Quanto tempo você viveu sem capacete? - Pergunto e faz silêncio. Ouço gritos de felicidade, um de horror e tento não representar nada em minha feição, mas lágrimas surgem. - Tayson, huh? - Coloco o capacete - Bernard, ele está fazendo de novo. - Bernard? Aqui é Humpley... - Bernard está arrumando sua roupa, parece literalmente um príncipe encantado. - Ela, nem ao menos sei seu nome, contou uma história... - Summer... Aqui isso não aconteceu, ok? Ou você salva todos os suicidas do mundo, ou você arruma esse item, conhece a sua própria guria praticamente estuprada por você com seus jogos doentios... - Ela não parece estar perturbada... - Visitas do futuro, escritora e drogada... Sim, ela provavelmente está perturbada. - Então? Eu sou um... Uma... - Não sei, pergunte a ela um dia, mas talvez você se arrependa de ter gastado tanto para poder apenas ver pessoalmente ela. - Foi um dos melhores livros que já li - Jogo meu corpo na cadeira e entro definitivamente em TimeLove, agora entendo como é divertido, a fuga fica mais adocicada com tanto amor, vestidos, príncipes e mágica. - Ela deve tratar você como uma das fãs psicóticas, talvez... Ou ama você e sua visão do futuro e por isso te seduz para que não jogue com outros. Sabe, mesmo você não acreditando, você é uma das melhores jogadoras da atualidade. Isso deve ser realmente diferente lá naquele tempo de jogos primitivos. - Eles já tem óculos e sensores, estão avançados... - Já ouvem demais? Espera, você está jogando todo esse risco nela? - Não é como se ela estivesse realmente assustada. Dou um sorriso quebrado e volto ao meu próprio quarto em TimeLove, hábito aqui em um quartinho em cima de uma cafeteria, trabalho como garçonete e, como tal, visto-me de empregada gatinha. É uma fantasia fofa, mas humilhante. Porém, tento não demonstrar muito o quanto encaro meu personagem enquanto uso essas roupas e cabelos e sirvo café e chá naquelas xícaras em formato de ursos, gatos, unicórnios. Era uma cafeteria muito, muito rosa, nela apenas pensava em servir e ganhar dinheiro, quase não pensava no real objetivo de todo aquele gigantesco jogo e do princípe que já estava convidando as meninas, uma por uma, para algum encontro. Depois, no horário de almoço, começo a lembrar da história de hoje de manhã e da mulher que cometeu suicídio. É normal nos dias de hoje, não é ilegal assistir e gostar, nem torcer para isso. Tento não pensar em revolta, quando isso acontece sai fumaça da minha cabeça e ursinhos vermelhos aparecem dizendo "Aaaah", é vergonhoso demonstrar tanto, até entendo os asiáticos nessa pressão maquiavélica da fofura. Continuo comendo, tudo vai passar. Adeus, seja lá quem seja, obrigada, Tayson. Um dia eu vou achar você e me vingar por uma família que nunca conseguirá entrar aqui novamente. Malditos empresários sanguinários.
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2017.11.11 07:06 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois

A quem possa interessar, agora tem uma parte 2: https://www.reddit.com/brasil/comments/7cq1rk/today_i_fucked_up_a_estranha_sensa%C3%A7%C3%A3o_de/
Reencontrei uma pessoa muito querida para mim ontem de maneira completamente randômica. É um caso tão bizarro que não sei para quem desabafar, já que esse "relacionamento" que eu mantive há 12 anos não chegou a ser sequer um relacionamento e nunca contei dele para ninguém. Esperei a esposa dormir, sentei e escrevi um conto. Fiz uma trash account para jogar isso aqui.
Desculpem o desabafo longo, mas foi o lugar que encontrei para soltar isso.
xxxx
Aconteceu no fim de tarde de uma sexta-feira quente. A cidade impaciente se esvaía para casa nos ônibus e metrôs lotados, a onda de calor de novembro apertando o passo de quem só queria o refúgio caseiro. Saí do metrô da esperando encontrar uma noite fresca, mas fui pego no pôr-do-sol atrasado do horário de verão. Passara o dia fora do escritório em um evento extremamente técnico e só queria desligar a cabeça. Estava bem vestido, mais do que o de costume. As calças jeans escuras relativamente novas, a blusa social quadriculada que usava quando queria se arrumar – mas nem tanto – e a bolsa de couro recém-comprada para ter um ar mais profissional nesses eventos externos.
Me sentia bonito, sentia até que minha barba reluzia ao pôr-do-sol. Ridículo, né? Um pouco de contexto: sempre fui uma pessoa acima do peso e havia acabado de registrar a perda de 32 quilos e indo à academia diariamente. Como qualquer um que foi gordinha a maior parte da vida, eu estava me sentindo muito bem. Por isso, peço que sejam indulgentes comigo. Até porque esse fato é relevante para a história.
Caminhando pela praça em direção ao ponto do ônibus que me levaria para casa, me desvencilhava dos ambulantes peruanos e suas bolsas falsificadas, dos entregadores de folhetos do sex shop de uma galeria ali perto – frequentadores fiéis da praça desde que eu me entendo por gente e provavelmente responsáveis por um número considerável de árvores derrubadas para fazer seus folhetos nessas décadas – e dos estudantes, que tanto pareciam carecer de pressa. Naquela multidão de gente, me surpreendi por notar alguém que me mirava de cima a baixo logo à minha esquerda.
No começo, não me virei. Julguei ser uma daquelas ilusões que a gente tem no canto do olhar. Três, quatro, dez passos. A pessoa continuava ao meu lado e me olhando atentamente, não sobravam dúvidas. Virei o rosto e dei de cara com ela.
Eu gosto muito de ler, mas não sei se já achei na literatura algum trecho que mostre o quão chocante é reencontrar um amor perdido depois de tantos anos. Ela entrou pelos meus olhos e me atravessou por inteiro, trouxe de volta as memórias que já julgava mortas e enterradas havia muitos anos. Por dentro, eu me senti despedaçado, como se tivesse estourado um balão há muito tempo comprimido no canto do subconsciente. Eu lembrei das manhãs que passava com ela, do dia em que ela me deu um CD do Linkin Park, de quando fui embora sem me despedir e não cortei o relacionamento – tosco, incompleto e desajeitado – que nós mantínhamos.
O choque seria menor, certamente, se não houvesse uma tristeza tão cristalina em seus olhos. Ela rapidamente virou o rosto e apertou o passo, mas eu fiquei ali atrás com aquela imagem fixa na memória. Me permiti olhá-la por inteiro enquanto avançava à minha frente. Não por desejo, mas por saudade. Saudade da pele morena, do cabelo ondulado que lhe descia pelas costas da mesma forma que fazia há mais de uma década. E saudade dos olhos de arteira que ela tinha, dos quais eu só lembrei depois de vê-los tão melancólicos. Nos conhecemos no fim do segundo grau e começo da faculdade, não éramos mais crianças. Mas os olhos dela sempre me encantavam: pareciam os olhos de alguém que está ansioso e animado ao mesmo tempo, o olhar de criança que está prestes a fazer merda e sabe disso.
Por sorte, ela seguia na mesma direção do ponto de ônibus e eu a seguia com meus olhos. Não tive forças para cumprimentá-la, a vergonha falou mais alto. Ela também não quis fazê-lo e foi fácil entender porque. Ela envelhecera bem mais do que eu esperava. Tínhamos a mesma idade, eu e ela, mas lhe daria uns dez anos a mais do que eu sem pensar duas vezes. Ganhara peso, o rosto e o cabelo pareciam maltratados, a roupa era desleixada. Nenhum julgamento aqui, quem não teve seu dia de ‘foda-se o mundo’ que atire a primeira pedra. E mesmo assim fez o meu coração parar. E mesmo assim eu só queria correr para perto dela e dizer oi.
Eu e ela éramos criaturas estranhas. Nós dois vínhamos de famílias de classe baixa, nós dois estávamos em um curso de inglês pago por algum parente mais rico, nós dois começamos a trabalhar cedo, nós dois éramos excelentes alunos, nós dois fazíamos parte daquela onda de rock do começo dos anos 2000 que incluía Linkin Park, Evanescence, System of a Down e algumas outras bandas que estavam na moda na época.
Começamos a nos aproximar quando contei para ela que queria fazer XXXXX (carreira omitida). Ela também queria, por isso passamos o ano anterior ao vestibular trocando dicas, comentando provas e trocando confidências no fim da aula de inglês. Eu fazia questão de levá-la para casa todos os dias após o fim da aula de inglês e nós acabamos ficando muito próximos. Só tinha um detalhe: eu e ela éramos comprometidos. Eu namorava uma colega de escola há pouco menos de um ano e era perdidamente apaixonado por ela, apesar dela ter se tornado uma companheira extremamente abusiva ao longo do relacionamento e termos nos separado. Ela namorava um amigo de infância, tinha tudo para crer que ela também era apaixonada por ele e estava prestes a se casar dali a um ano e meio. Sim, ela casou-se ridiculamente cedo, com apenas 20 anos e teve dois filhos logo depois, pelo que eu ficaria sabendo mais tarde por acidente. Nesse período de cerca de dois anos, mantivemos esse relacionamento estranho que eu sequer sei como classificar. Recém-chegados no curso achavam que éramos namorados, apesar de nós nunca nos abraçarmos, andar de mãos dadas ou coisas do gênero. Os alunos que estudavam conosco há mais tempo e já tinham visto nossos verdadeiros namorados achavam apenas que colocávamos chifres neles. Nós nunca fizemos absolutamente nada. Não houve beijo, não houve cabeça no ombro, não houve mãos dadas. Fisicamente, nunca houve nada. Mas havia ali uma cumplicidade quase criminosa, olhares mais longos do que o necessário, um quase que jamais se tornava realidade. Talvez esse carinho fosse fruto de sermos tão parecidos e termos origens tão similares.
Mas tudo acabou sem aviso. Em um intervalo de meses, sofri um duplo revés. O parente que pagava o meu curso descobriu que estava com câncer e seus custos com saúde aumentaram drasticamente. Eu já estava trabalhando e podia pagar, mas perdi o emprego no mesmo semestre. Tudo aconteceu em um intervalo de um mês, em janeiro, e eu não pude voltar ao curso para o semestre seguinte. Era uma época diferente. As redes sociais não eram tão onipresentes (eu tinha meu bom e velho Orkut, ela achava rede social bobeira) e não havia Whatsapp. E algo em mim insistia em dizer que era errado ligar para ela, que era ir longe demais. Então eu sumi da vida dela sem aviso, sem dar satisfação. Simplesmente não me matriculei no curso e jamais toquei no assunto com ninguém, nem com meus amigos mais próximos. Doeu – e doeu muito – mas eu deixei a vida sedimentar tudo aquilo. Eu ganhei peso, meu relacionamento com aquela namorada não andava bem. Naquele momento, eu só queria sumir e não ver mais ninguém. E aquela saída brusca acabou me ajudando nesse sentido. Some aí a baixa auto-estima. Eu nunca achava que uma mulher estava dando bola para mim até elas praticamente se jogarem no meu colo. Quase todas as mulheres com quem saí tiveram a iniciativa ou deixaram bem claro que queriam alguma coisa, sempre fui lerdo ao extremo para flerte. E perdi grandes oportunidades por conta disso, mas isso é passado e não me causa dor, só uma risadas. Exceto nesse caso.
De lá para cá, soube pouco dela. Descobri por um grande acaso que ela teve dois filhos logo após o casamento (Orkut de amigo de um amigo de um amigo que estava no chá de bebê do segundo filho dela, rs). Também vi que ela não passou no vestibular para a carreira que escolhemos, senão seria mais fácil encontrá-la. O curso era bem concorrido e ela não passou duas vezes. Na terceira, já estava com filho e casada, então não avançou. Esbarrei com ela enquanto estava grávida do primeiro fazendo compras no mercado com o marido. Nesse dia, eu estava acompanhado de vários amigos, completamente bêbado e indo para uma festa na região boêmia da cidade. Trocamos um olhar meio constrangido nesse dia, nada mais. Tinha uma mágoa bem nítida nos olhos dela, mas eu ainda relutava em acreditar que eu significava muita coisa para aquela menina. Eu só iria me tocar anos mais tarde que eu, apesar de estar fora dos padrões de beleza, recebia sim atenção do sexo oposto.
Agora avançamos 12 anos no futuro. Cá estou eu, perdido, olhando para uma mulher que teve um relacionamento tão tênue e tão profundo comigo ao mesmo tempo. Ela parou e entrou em uma loja de sapatos em frente ao ponto de ônibus para o qual eu estava indo e, mesmo pela vitrine, trocamos alguns olhares demorados. Eu queria chegar perto, eu queria dizer oi, eu queria chamá-la para jantar. Mas, no auge dos meus 30 e poucos anos, eu me senti um adolescente envergonhado de 17. E uma voz bem clara ecoava na minha cabeça: “você é casado, você tem um casamento muito feliz e você nunca traiu sua esposa e nenhuma das suas outras ex-namoradas. Você não vai começar a fazer merda agora”.
E se eu fosse dar um oi, serviria de quê? Requentaria um amor adolescente que provavelmente só faria mal a nós dois? Reviveria a mágoa daquele adeus decepado, sem dar a menor satisfação? Tudo isso só transformava minhas pernas em âncoras que meus olhos teimavam em ignorar. Ela saiu da loja e, pela primeira vez naquele fim de tarde, me olhou de forma direta. Sem aquela desviada de olhar que vem um par de segundos depois, sem aquela sensação de acidente ou constrangimento. Nos encaramos por um período que, me perdoem o clichê, parecia uma eternidade. Eu sabia que aquela era a minha deixa para chegar mais perto, mas eu não fui. Ela me deu as costas e sumiu na multidão, provavelmente para sempre. Meu coração ficou ali perdido, sem saber como era possível lembrar-se de tanta coisa em tão pouco tempo.
Sentado no ônibus de volta para a casa, as memórias vinham em atacado. O dia em que ela fez uma cópia do Hybrid Theory e me deu de presente de aniversário. A vez em que eu ganhei de um amigo meu um chaveiro do Nirvana e, quando ela foi pegar para ver, sem querer seguramos as mãos por uns segundos que pareciam compreender toda a história da humanidade. Quando levei meu discman para o curso e a gente escutou junto um álbum do System of a Down no ano em que lançaram Hypnotize e Mezmerize.
É triste a vida ser tão curta, eu concluí. Tem tanto amor para se viver, tanta história que poderia se escrita a dois que nós nunca vamos conhecer. Tanta coisa inesperada que acontece num fim de tarde sem propósito, tanta coisa que a gente deixa de perceber e que acontece porque você notou alguém no canto do seu olho. E eu, muito provavelmente, nunca mais vou vê-la. Se eu tivesse a oportunidade de reviver esse momento, eu não sei o que eu faria. Chamava para tomar um café e pedia desculpa por nunca ter falado que eu era perdidamente apaixonado por ela e que vivia um relacionamento conturbado com uma companheira abusiva, mas que a baixa auto-estima me impedia de agir? Diria que havia praticamente esquecido que ela existia nos últimos 10 anos, mas que bateu um misto de culpa e carinho enormes tanto tempo depois? Não acho que nada disso valeria a pena.
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2017.06.20 15:00 MissNerdt Minha bisavó tem Alzheimer e mudou demais em uma semana.

Minha bisavó tem 90 anos, completa 91 em agosto. No final de 2015 eu comecei a perceber ela mais distante, as vezes parecia que estava em um mundo só dela, passou a ter mais medo de ficar sozinha (se minha mãe sair de casa, mesmo com eu, minha irmã e meu pai estando, pra ela, ela tá sozinha) começou a repetir mais os assuntos. No começo do ano passado foi ficando sem paciência, eu doente, com febre e ela querendo que eu fizesse tudo na hora pra ela, não percebia que eu não estava bem. No meio do ano eu comentei com a minha mãe que eu tava achando ela tão diferente, tão distante, falando umas coisas sem sentido. Eu gosto de levar ela e o meu baby (dog) pra varanda no quintal pra ficar conversando com ela e brincando com ele, então eu fui percebendo as mudanças.
Ela passou a falar que tinha um homem no muro olhando pra gente. Passou a falar isso todo dia, depois praticamente o tempo todo que estava lá fora, depois passou a não acreditar e nem ouvir mais quando eu falava que não tinha ninguém. Mais ou menos de agosto 2016 pra cá ela foi ficando assim e ficando pior. Em abril ela começou a sentir dores fortes no corpo, febre alta, a perna inchou, tinha todos os sintomas de chikungunha. Levamos ela no hospital e lá não fizeram exame, só falaram que com certeza era chikungunha.Ela foi piorando por causa das dores, a febre passou mais ficou com dificuldade pra andar sozinha.
As vezes anda só, depois precisa de ajuda, as vezes entende as coisas, depois não entende, parece que não ouve. :( Semana passada ela ficou uns 3 dias agitada, todo hora gritava pela minha mãe. Minha mãe não podia tomar banho ou ir comer que ela gritava pra minha mãe aparecer e falava que já ia dormir, que era pra fechar a janela e porta do quarto dela (tipo chantagem pra minha mãe ficar com ela). A minha mãe estava ficando extremamente estressada, em conseguir dormir pra olhar ela, porque até de madrugada ela gritava. Minha mãe levou ela ao médico, ele pediu vários exames que ainda vão ser feitos porque ela tá fraca demais.Na consulta ela estava bem, falou com o médico, disse que estava bem, que só sente um cansaço nas pernas mas que tá tudo bem.
Mas minha mãe tirou ela da sala e conversou a sós com o médico e contou tudo que ela tem sentido ultimamente. Ela chegou em casa animada, outra pessoa. Depois do almoço ficou em pé, disse que tinha que andar pra não sentir dor nas pernas. Andou pela casa toda, passou na porta do meu quarto e deu tchau e soltou beijos. Ficou na varanda olhando as coisas.. e quando quis ir pro quarto não conseguia andar direito. Mas foi e tava normal. A noite minha mãe deu a ela um remédio que o médico receitou pra ela conseguir dormir. É um remédio bem fraco mas ela dormiu até as 6h da manhã. No outro dia acordou meio agitada, depois do almoço ficou muito agitada, só falando nos ex vizinhos dela, de pessoas que já morreram, falando como se tivesse brigado sério com alguém. Totalmente fora da realidade. Ela ficou umas 36h sem dormir falando em loop! No outro dia de novo, ficou falando em loop e estressada até umas 17h quando pegou no sono de tão cansada. Então o médico receitou Quet XR 50mg e ela tomou metade, dormiu a noite toda, parecia a solução mágica pra ela ficar calma.
Ontem ela acordou pior, gritando, chorando, dizendo que iam matar ela, que nós queremos matar ela e outras coisas tristes. :( Ela tomou a outra metade do remédio, minha irmã deu banho nela, colocamos uma fralda geriátrica nela (ela nunca tinha usado isso) e ela se acalmou. Passou o dia todo calminha, esqueceu dos vizinhos, passou o dia todo calma e como se tivesse costurando uma roupa, dobrando o lençol dela, marcando,... Almoçou direito, minha mãe botando na boca dela. Lanchou no fim de tarde e pediu pra deitar na cama. Dormiu a até as 3:30 da madrugada quando acordou tirando a alça do vestido e mandando cortar se não ela ia morrer. Aí pegamos uma tesoura, eu fingi várias vezes que cortei mas não adiantou. Tentamos dar o remédio a ela, porque ela não tinha tomado, mas não conseguimos. Ela cuspiu, cuspiu no chão ia jogando a água em mim. Disse que nós queremos matar ela, pergunta porque estamos fazendo isso... Minha mãe tentou dar um pouco de leite e ela não quis, coloquei até em uma seringa e ela não toma porque acha que é veneno. Ela ainda tá na cama deitada tentando tirar a fralda mas tá calma.
Eu não sei o que vai acontecer :( Não sei se é só uma crise ou se vai ser assim pra pior. É horrível ver a minha bisavó passando por isso. Ela ajudou a me criar, esteve do meu lado em todos os momentos da minha vida. Eu amo ela e eu sei que ela me ama demais. Inclusive, domingo a noite quando ela foi dormir, ela chamou a minha mãe e disse: Cadê as meninas? Eu amo muito elas e eu amo muito você também. Minha filha me desculpe por está dando trabalho a vocês. Mas tenha paciência comigo. :( E dormiu. Minha mãe saiu do quarto chorando achando que ela estava se despedindo. A minha bisavó é mais mãe da minha mãe do que a minha avó. A minha mãe tá em um estado que não da nem pra explicar. Eu não quero perder a minha bisa agora. Tomara que seja uma crise. Desculpa escrever isso tudo aqui, talvez ninguém leia, mas eu precisava desabafar.
Eu já tive três crises de ansiedade. Tive a primeira, depois de uns 4 anos tive outra e esse ano tive outra inclusive por ver ela assim. Então quando estou com essa crise, a primeira coisa que penso é que estou ficando louca. Penso logo no problema da minha bisa, principalmente porque ela mora com a gente, então eu cuido dela, vejo tudo. Fico com medo e inclusive já acho que a crise é um sinal mesmo sabendo que não é. É horrível os medos que a crise causa na gente. Desculpa por postar isso aqui. :(
EDIT: Eu tinha passado a madrugada com ela quando escrevi esse post, eu estava arrasada porque ela estava tão diferente. A doutora acha que é Alzheimer mas ainda não temos certeza porque vamos fazer a ressonância magnética só na próxima semana. Ontem ela ainda estava um pouco agitada mas hoje o "Eu" dela voltou. Ela está reconhecendo todos nós, inclusive chorou porque tá doente e se perguntando quando vai ficar boa.
Eu espero que tudo que aconteceu na última semana seja só uma crise e que ela volte pelo menos o jeito que ela estava semana passada. Ela tá fraquinha mas voltou a se alimentar, pede pra ir ao banheiro, toda vez que ver nosso bebê (dog) ela se curva pra falar com ele, ele beija ela, balança o rabo pra ela, ela fica toda feliz. Eu desejo com tanta força que tenha sido só uma crise, talvez por ela ser muito aborrecida, e como tá com chikugunha ela tá sem paciência, aí fica tendo raiva mesmo a gente fazendo de tudo pra evitar. Mas hoje eu sinto como se ela estivesse voltando.
Ela tá fraca, continua ficando distante mas tem momentos que volta, como hoje quando chorou porque está doente. Ela precisou ir ao banheiro e meus pais levaram ela, minha mãe deu banho nela depois, então quando voltou pro quarto e sentou na poltrona dela, começou a chorar triste pelo que está passando. Eu fiquei sentada do lado dela segurando a mãozinha dela dizendo que ela vai ficar boa.. aí ela foi se acalmando. Dói tanto essas coisas, eu queria tanto ter o poder de resolver isso :( Ela se sente tão frágil, desprotegida :(
Eu quero agradecer a todos vocês que responderam, que contaram suas histórias, que me mandaram força. Vocês não fazem ideia de como me ajudaram. Eu estava completamente sem chão. Eu não posso perder a minha bisavó. Eu a amo demais, são poucas as coisas na vida que eu passei e ela não estava junto. E eu quero ela junto comigo por muitos outros anos, quero que ela seja tataravó, que tenha essa felicidade. Ela adora falar que é bisavó ❤
Obrigada de verdade!
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